Quando você fuma e não sabe
Há dois tipos de fumantes
passivos: aquele passivo que realmente é passivo em tudo, até no sentido de
fazer com que o indivíduo que fume do seu lado não seja importunado, e há o passivo
por necessidade. Aquele que até para conviver bem, embora ele não aceite ou não
concorde, acaba inalando o ar esfumaçado”, considera o cardiologista Antonio
Chagas.
O médico destaca também a
criança como fumante passiva. “Existe uma influência negativa, sem dúvida,
porque os filhos sempre se espelham nos pais. Aquilo que um filho vê o pai
fazendo, de certa forma considera como sendo certo. Além disso, o próprio
indivíduo se adapta ao cheiro da fumaça do cigarro. É muito comum filhos de
fumantes iniciarem no vício de fumar muito jovens”, alerta Antonio Chagas. E
completa: “O indivíduo que parar de fumar, independente dos anos em que foi
fumante, estará fazendo um grande benefício à saúde, sem contar àqueles com
quem convive.”
Em média, um adulto exposto à
fumaça do cigarro inala,
em ambientes fechados, um
terço do fumante ativo.
restrita: dentro das casas,
locais de trabalho, dentro
dos carros e de ambientes de
lazer. A concentração de
substâncias tóxicas depende
do número de fumantes
ativos, intensidade do seu
consumo, dimensões físicas
do ambiente e da ventilação do local.


Planeta cinzento
Há 1,3 bilhão de fumantes no globo.
O Brasil possui 30 milhões de fumantes e é o quinto lugar no ranking de
fumantes. O cigarro mata 5,4 milhões por ano no mundo. Segundo a Organização
Pan-Americana da Saúde (OPAS), no Brasil o consumo de cigarro é responsável por
200 mil mortes/ano. Na África do Sul o consumo de cigarros caiu cerca de 40% a
partir da década de 90 porque o preço do maço dobrou. Apenas 5% da população
global está protegida por legislações abrangentes contra o fumo em ambientes
fechados e 40% dos países ainda permitem fumar em hospitais e escolas. A
proibição da publicidade em 14 países conseguiu reduzir o consumo em 9%, num
período de 10 anos. Em comparação, um grupo de 78 países que manteve a
publicidade registrou queda de consumo de apenas 1%.
Dados da OMS
Para ministério proibição ao fumo deve ser
radical
O ministro da Saúde, José
Gomes Temporão, crê em atitudes radicais e específicas para que o fumante
passivo seja protegido. Uma das pautas de seu ministério é, em suas próprias
palavras, banir o fumo em ambientes fechados. “A legislação atual estabelece
que restaurantes e bares criem ambientes isolados, mas vários estudos
demonstram que isso é ineficaz. O fumo deve ser proibido radicalmente em locais
fechados para, inclusive, evitar a doença profissional. Em um restaurante, por
exemplo, o cozinheiro, os garçons e funcionários são fumantes passivos. Estudos
demonstram que quem fica oito horas dentro de um ambiente onde as pessoas
fumam, ao final do dia é como se tivesse fumado o equivalente a 10 cigarros.
”Para o ministro, outro grande desafio é o preço do cigarro. Segundo ele
deve-se aumentar o preço para que os recursos sejam destinados a políticas de
promoção, prevenção, pesquisa e tratamento das doenças causadas pelo tabagismo.
“O aumento do preço em qualquer lugar do mundo é uma política importante de
redução de consumo. O cigarro no Brasil é um dos mais baratos do mundo. Há uma
resistência no aumento do preço sob o argumento de que isso estimularia o
contrabando. Eu estou brigando para que o preço do cigarro seja
significativamente aumentado e que os recursos adicionais recolhidos sejam
destinados a orçamentos do Ministério da Saúde exatamente para políticas de
promoção, prevenção, pesquisa e tratamento das doenças causadas pelo
tabagismo.”

Mãe, uma questão de bom senso
A obstetra Mary Nakamura
explica que as mulheres correm riscos ainda maiores do que os homens fumantes
por causa da interação de anticoncepcionais ou de terapias hormonais com o
tabagismo, elevando os riscos cardiovasculares e mesmo de osteoporose. Na
gravidez, quanto mais se fuma, maior o efeito prejudicial, segundo a médica.
“Estudos demonstram que a exposição do feto não depende apenas do tabagismo
materno, mesmo as fumantes passivas sofrem com a exposição: maior risco de
abortamento e fetos menores. Há referências também de que crianças expostas ao
fumo intra-útero apresentam maior risco de comportamento agitado, irritadiço,
maior predisposição a problemas pulmonares, tumores e lábio leporino. No início
da gravidez, há maior incidência de abortamento e de gravidez ectópica (embrião
implantado fora do útero)”, conclui Mary Nakamura.
Aditivos para aumentar o consumo
A dependência ao cigarro é
considerada uma doença crônica, com períodos de abandonos e recaídas.
Atualmente, é reconhecida como desordem mental por uso de substância
psico-estimulante que age nos centros nervosos. A Organização Mundial de Saúde
a incluiu, desde 1992, na Classificação Internacional de Doenças como síndrome
da tabaco-dependência.
Quero parar. E agora?
O pneumologista Jonatas
Reichert, explica que alguns produtos atualmente são considerados de eficácia
comprovada, ao se considerar o percentual de pessoas que continuam sem fumar
após 12 meses do tratamento. “Eles são classificados como nicotínicos e não-nicotínicos
e de 1ª e 2ª linha”.
A eficácia mono-droga em
relação à bupropiona em observação de 12 meses é de 30% de sucessos, podendo
elevar de 30 a 40% quando associado a TRN. A Vareniclina, produto mais recente,
tem revelado maior eficácia, chegando até 60% o índice de abandono do tabaco a
partir dos 12 meses. Segundo o médico, os estudos que comprovam e avaliam a
eficácia desses produtos revelam que:
• A Terapia da Reposição Nicotínica (TRN), em
qualquer apresentação, eleva em duas vezes a chance de abandono.
• A Bupropiona é mais efetiva que o adesivo de
nicotina.
• A associação de Bupropiona + TRN eleva o índice de
abstinência.
• O uso de Vareniclina mostrou a maior eficácia
chegando a 60% de sucesso.

Esta matéria faz parte da
revista O Médico & Você, edição número 1.