Leilão? A Fábrica Municipal de Adubos que o vento ainda não
levou!
Todos
os remedienses sabem da existência do Parque Agroindustrial da cidade
localizado no lugar conhecido como “curva dos Vargas”, mesmo local na zona RURAL
do município onde a Prefeitura escolheu (por motivos não técnicos) para erguer
a chamada “Cidade da Saúde” ainda em construção.
Infelizmente,
quase ninguém sabe da riqueza que ali está “escondida”. Lá funciona, aliás,
deveriam funcionar, 02 grandes máquinas lá instaladas: a FÁBRICA DE RAÇÃO e a
FÁBRICA DE ADUBO. Além dessas grandes máquinas ainda há o TRITURADOR DE MILHO
(máquina de fazer fubá), uma empilhadeira e diversos outros implementos
agrícolas como carretas e grades de arado para trator. Não é preciso dizer que
também há um enorme espaço reservado para armazenar toda a produção agrícola do
projeto Lavouras Comunitárias.
Vocês
vão perguntar: como tudo isso funciona ?
A
Fábrica de Ração poderia estar produzindo, a baixíssimos
preços, toda a ração que os fazendeiros precisam para alimentar suas criações
de porcos, gado de leite, equinos, frangos, etc. Hoje, praticamente todos os
nossos fazendeiros compram ração em mercados especializados que, embora
legalmente, lucram muito com isso, pois há uma grande procura por esse produto
que sustenta a base da economia municipal... Mas não é só isso.
A
Fábrica de Ração, além de conseguir produzir e vender a ração por um baixo
preço, ainda poderia incentivar o aumento enorme da produção de milho, hoje tão
prejudicada no município. Isso ampliaria a estrutura do Projeto Lavouras
Comunitárias o que significa mais áreas produtivas no município, mais famílias
atendidas e mais renda para todos.
O
dinheiro, hoje, do custo da ração vai todo para fora do município para os fabricantes
e revendedores do produto. Se a Fábrica de Ração da Prefeitura estivesse
funcionando, TODO O DINHEIRO DO GRANDE COMÉRCIO DA RAÇÃO CIRCULARIA NO BOLSO
DOS TRABALHADORES RURAIS DA CIDADE, tanto daquele que produz o milho ou só
trabalha na lavoura, quanto daquele que cria e vende animais.
A
importância dos galpões do Parque Agroindustrial é fundamental para armazenar
com qualidade toda a produção rural em sacas e, principalmente, controlar a
venda do estoque. ALGUÉM SABE DIZER QUANTAS TONELAS DE MILHO NOSSO
MUNICÍPIO PRODUZ ? POR QUE ESTES NÚMEROS NÃO SÃO DIVULGADOS ? SERÁ QUE ELES
EXISTEM ? ONDE E COMO ESTÁ SENDO FEITO O CONTROLE DA PRODUÇÃO DO PROJETO
LAVOURAS COMUNITÁRIAS ?
Este
assunto é muito grave ! Não se trata de desconfiar de ninguém, embora já tenham
ocorrido diversos boatos de extravio e até pesagem irregular de milho na venda
da produção do projeto Lavouras Comunitárias. Isso gerou inclusive outros
processos na justiça. Mas como foi dito, não se trata de desconfiar de ninguém.
Trata-se de transparência com a coisa pública. É preciso armazenar,
pesar, rotular e vender para que todos saibam, ao final, qual foi o lucro do
trabalho deste Projeto Público de Lavouras Comunitárias.
Sobre
a Fábrica de Adubos, os benefícios seriam ainda maiores. Para
se produzir milho para a Fábrica de Ração é preciso de adubo nas lavouras. Ao
invés de comprar em outras cidades, o adubo seria produzido no próprio
município. Só há uma diferença entre as duas fábricas: a Fábrica de Adubos pode
produzir em escala industrial, ou seja, dá para produzir, estima-se em um único
mês, adubo suficiente para atender toda a demanda anual da cidade. O restante
da produção seria, é claro, exportada para outras cidades. E exportar (todo
mundo sabe!) é o sonho de toda empresa. Se houver uma boa gestão de
distribuição e transporte do produto, a Fábrica de Adubos geraria bastante
lucro em pouco tempo... isso é inegável, ninguém discute.
Tudo
isso poderia ser hoje uma realidade, é claro, se a Prefeitura tivesse mantido o
mesmo nível de investimento na agricultura municipal subsidiando as
matérias-primas de ambas as fábricas, assim como foi feito, ainda que
modestamente, no Projeto Lavouras Comunitárias: Prefeitura dá a semente, o
fazendeiro dá a terra e o homem do campo o trabalho, a exemplo de países que
tanto subsidiam a agricultura como EUA, etc.
O
projeto é maravilhoso ! E vocês devem se perguntar: POR QUE ELE NÃO FUNCIONA
NO MUNÍCIPIO ? O QUE ESTÁ FALTANDO ? VONTADE DA PREFEITURA ? O SINDICATO ?
Bom,
antes de responder, é preciso que todos ainda saibam que o Parque Agrícola
Municipal foi inaugurado durante a Exposição Agropecuária de 2001, no início do
mandato do Prefeito Artur Belo Tafuri que deu continuidade ao projeto do
Prefeito anterior José Francisco M. Primo. Alguns meses depois foi celebrado um
convênio através do qual a Prefeitura repassava verbas para o Sindicato dos
Trabalhadores Rurais para gerenciar o Parque. A parceria deu muito certo. A
produção agrícola aumentou, as fábricas funcionaram e produziram nos anos
seguintes. A repercussão foi tão boa que até o Grupo Rural de Artesãos da
cidade de Cipotânea, o qual inclusive foi matéria dos programas de TV
Fantástico e Globo Rural, vinha em comitiva até Senhora dos Remédios para
buscar a principal matéria-prima de seus trabalhos: a PALHA DE MILHO que era
tão abundante devido a grande produção das Lavouras Comunitárias. No ano
de 2004, ocorreu um defeito na Fábrica de Adubos e, por dificuldades
burocráticas, financeiras e políticas daquele ano eleitoral a Fábrica ficou praticamente
parada.
No
ano de 2005, mudou-se a política, mas não mudou o problema na Fábrica de
Adubos. Pelo contrário, a situação tornou-se ainda mais grave: o convênio com o
Sindicato foi deixado de lado (não se sabe por quem!) e o Projeto Lavouras
Comunitárias foi transferido para a Associação Comunitária da Carranca. Talvez
a produção tenha até aumentado, mas infelizmente ninguém sabe, pois a
Associação não apresentou um relatório sequer, nos anos seguintes, ao Conselho
Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS), embora tenha sido, por
diversas vezes, notificada pelo Presidente do mesmo.
O
que aconteceu nos anos seguintes com o Parque todos são testemunhas... quem
passava à margem da rodovia viu o mato e a chuva tomarem conta do local,
constantemente. Os caminhões e tratores foram levados para o Setor de Obras da
Prefeitura onde eram estacionados ao relento por falta de garagem. Enxurradas e
lama invadiram os galpões do Parque conforme fotos abaixo, tiradas em 2007/2009.
O telhado dos galpões... “E o vento levou”... e assim ficou sem
nenhum tipo de reparo por meses a fio.

Como se vê, a situação virou até boletim de ocorrência na polícia. Houve caso
de furto de peças e de maquinários no local. Houve ainda graves denúncias de
irregularidades na Secretaria de Agricultura com a forma de arrecadação das
taxas pelo uso dos tratores e até a denúncia de possível existência de desvio
desses recursos que não foram contabilizados pela Prefeitura. A conta bancária
que era movimentada conjuntamente, conforme lei municipal, entre o CMDRS e a
Secretaria de Fazenda foi bloqueada pela Prefeitura. Até a conta bancária da
Sociedade Musical Santa Cecília foi usada para pagar shows da Exposição de 2005
recebendo verbas que eram do Programa Pró-Leite (que subsidiava os tanques
comunitários de resfriamento de leite). O Secretário de Agricultura foi
trocado, pelo menos, umas 05 vezes enquanto os problemas se arrastavam...
Todos
estes assuntos, dentre outros, estão hoje sendo investigados pelo Ministério
Público e, de forma curiosa, estão tramitando em segredo de justiça o
que torna difícil o acompanhamento do caso pela população que ainda não tem
nenhum parecer sequer, embora as denúncias tenham sido feitas em 2006/2007.
Há
alguns poucos meses atrás, provavelmente em virtude das denúncias no Ministério
Público, a Prefeitura consertou o telhado dos galpões e vem realizando a capina
no local, mas as máquinas continuam desativadas e não se sabe desde quando não
passam por uma manutenção para preservá-las em condições para uma futura e
possível reativação das fábricas.
Esquecendo
um pouco toda esta polêmica que já está nas mãos do Ministério Público que é o
órgão competente para dizer oficialmente o que foi ou não errado, o que causou
ou não prejuízo para o povo e se alguém foi ou não responsável por isso ou
aquilo, vem a público agora a lamentável notícia de um possível LEILÃO DA
FÁBRICA DE ADUBOS E OUTROS IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS DA PREFEITURA.
Tal
notícia, seja ela oficial ou não, serviu de querelas na última reunião do CMDRS
e soa aos ouvidos dos cidadãos conscientes como uma tragédia para o município.
Só se leiloa um patrimônio público quando a Prefeitura e a Câmara de Vereadores
decidem que ele é inviável ao interesse público, ou seja, não serve mais para o
bem comum do povo.
Diante
do exposto acima, ousar falar em leilão, ou seja, PRIVATIZAÇÃO daquele
patrimônio maravilhoso do cidadão é o mesmo que dizer NÃO AO PROGRESSO DA
AGRICULTURA MUNICIPAL.
É
de se lamentar que alguém pense que um Parque Agrícola como o de Senhora dos
Remédios seja considerado inviável para o interesse público...
Será
que as máquinas não funcionam mais ? Será que elas foram tão deterioradas assim
pelo tempo ? Será que não têm conserto ? Será que a falta de cuidado com
o patrimônio público chegou a este ponto ?
Será
que ninguém quer ver mais o Parque Agrícola funcionando repleto de caminhões e
tratores com toneladas de milho sendo debulhadas, ensacadas, pesadas e vendidas
no pátio do Parque onde tudo que é fruto da terra (da amada terra dos Remédios)
se aproveita e que até a sobra da palha de milho é produto desejado por outras
cidades e seus artesãos ?
Será
que ninguém quer ver carretas descarregando toneladas de sacos de fosfato e
saindo com outras toneladas de sacos de adubo como futuro produto de exportação
e riqueza para o homem do campo remediense ? Será que ninguém quer ver
todo este maravilhoso movimento gerador de riqueza, mas também de muito suor, barulho e poeira num lugar estratégico
para o transporte rodoviário e que foi ali escolhido para não incomodar
a vida rural e urbana de ninguém ?
Bom,
não incomodava... agora (aliás, desde 2006) vem sendo construída
bem em frente ao Parque Agrícola Rural do município a “Cidade
da Saúde” onde já foi construído um Posto de Saúde do Prog. Estadual “Saúde em
Casa”, cujo objetivo, curiosamente, é trazer a saúde para mais perto
das pessoas. (Perto ???)
Outras
perguntas aqui ressoam retumbantes: POR QUE DOIS PROJETOS TÃO NECESSÁRIOS
AO MUNICÍPIO, MAS INCOMPATÍVEIS DE EXISTIREM NUM MESMO ESPAÇO, ESTACIONARAM UM
DE FRENTE PARA O OUTRO ? QUEM ESTACIONOU PRIMEIRO NA CURVA DOS VARGAS ? O
PARQUE RURAL DA AGRICULTURA OU A CIDADE DA SAÚDE ?
POR
QUE A CURVA DOS VARGAS SE TORNOU UM LUGAR TÃO IMPORTANTE PARA O MUNICÍPIO ?
DE UM LADO, VIGÍLIA NOITE E DIA, ZELO E INVESTIMENTOS ALTÍSSIMOS
! DO OUTRO ???... BOM, BASTA OLHAR PARA OS DOIS LADOS E RESPONDER...
DUVIDA-SE
QUE ALGUÉM NÃO VEJA A RESPOSTA!!! E vem alguém agora falar em leilão?
Bom,
como terminou o filme “E O VENTO LEVOU”, encerra-se também este artigo com as
palavras da própria Scarllet O'Hara que, aliás, tanto lutou para manter
ativa a fazenda da família arrasada pela guerra dos interesses políticos
que dividia os EUA, em meados de 1860, em povo do Norte e povo Sul. A
personagem, depois de mais uma desilusão e cansada de tantas dificuldades da
vida termina sua saga dizendo assim: “Amanhã será
um novo dia!” Que
assim seja.
Adriano
Dornelas da Silveira