SONETO AO AVESSO
Para
meu ex-aluno, Célio Mendes do Vale, que certa feita perguntou-me:
_"_E
se iniciarmos o soneto por dois tercetos e terminarmos com dois
quartetos?"
Sem
rumo, meu ser a vagar se vai...
Desejo
um verso que esteja ao avesso-
No
fim, o que seria o começo...
Gota
a gota, cada palavra cai;
São
versos fráfeis, leves como o gesso,
Que
ao som do coração um por um teço.
Como
minhalma a tanta norma presa,
Insiste
o verso em ser metrificado:
O
conteúdo foge da riqueza
Da
cadência que a lei lhe tem ditado...
Habita
em suas sílabas uma tristeza...
Sua
rima é o meu choro amargurado-
Mas
sabe que, na arte, sua defesa
É
ser livre , porém disciplinado.