SONETO TRISTE

 

Que os anjos não me esperem...Já não quero voltar...

Nasci como uma estrela cadente, que morreu no mar...

Perdi minhas asas, já não sobrevôo as chamas...

Como um réptil me arrasto no asco das escamas...

 

Digam aos anjos que não me esperem no Firmamento.

( Uma estrela caída só espalha luz por um momento

E fica a vagar no vazio, como uma pedra escura

E na solidão do Cosmos sua solidão se mistura...)

 

Que me perdoem os anjos, se ficarem à minha espera...

Perdi minhas asas e a solidão de mim se apodera

Quando olho o céu, sabendo já não mais poder voltar...

 

Os caminhos da Terra me parecem, hoje, tão escuros

Que, mesmo cadente, por caminhos vãos e inseguros,

Agrada-me brilhar  por um instante e morrer no mar...