ONGs e a Evolução da Cidadania

 

Muito se tem falado a respeito desse segmento de negócios, ouvem-se disparates na esfera governamental, escândalos envolvendo situações inexplicáveis.

Quando o sistema social oferece menores possibilidades para resolver problemas que são necessários para sua existência, surgem as crises e, estas são tidas como distúrbios que persistem na integração do sistema social.

O processo de globalização da economia vem deixando marcas profundas na sociedade brasileira, haja vista a redução do papel do Estado, enquanto criador de normas e interventor das relações de emprego.

Devido a constantes transformações ocorridas no mundo do trabalho, houve a necessidade de uma série de adaptações, com a introdução do computador nos meios de produção, imposta pela revolução tecnológica, que vem tomando gradativamente, o espaço de trabalho ocupado pelo homem.

A expressão ONG em âmbito mundial surgiu pela primeira vez na Organização das Nações Unidas (ONU), após a Segunda Guerra Mundial, com o uso da denominação em inglês “Non-Governmental Organizations, para designar organizações supranacionais e internacionais que não foram estabelecidas por acordos governamentais.

Hoje podemos visualizar um conjunto de setores trabalhando em sincronicidade:

O primeiro Setor referindo-se à emanação da vontade popular, pelo sufrágio universal, que confere o poder ao governo;

O Segundo Setor, da livre iniciativa que opera o mercado e define a agenda econômica usando o lucro como instrumento;

E o Terceiro Setor composto pelas instituições com preocupações e práticas sociais, sem fins lucrativos, que geram bens e serviços de caráter público.

Agora, seria demagogia dizer que só o primeiro e o segundo setores operam com dinheiro, como se o Terceiro Setor pudesse renunciar a este instrumento. O que caracteriza cada setor em face os recursos é o fato do Primeiro Setor usar dinheiro público para fins públicos, o Segundo Setor usar dinheiro privado para fins privados e o Terceiro Setor utilizar dinheiro público e privado para fins públicos.

Todas as ações do Terceiro Setor são intervenções sociais, pois buscam modificar modos de pensar, modos de atuar e modos de sentir. É função do Terceiro Setor, construir formas de intervenção social democrática que convertam “atores sociais” em “sujeitos sociais”.

Esta concepção triangular parece ganhar especial atração à medida que a memória da guerra fria recua. Se o mercado está aqui para ficar e o Estado aparentemente não vai definhar tampouco, a polarização global de uma época anterior transforma-se numa espécie de questionamento contextual: que tipo de mercado? Que tipo de Estado? Quais os limites para o lucro? Quais os limites para a violência? Quão abrangente pode ser esse mercado? Quão amplo o escopo da cidadania? Quanto de investimento para o futuro? Quanto espaço para a participação? Quanto investimento em fatores humanos? Quanto reconhecimento à diversidade humana? Quanto de desigualdade aceitável? Quão acessível e eficaz o sistema judicial? Quão amplo o abismo entre regiões? Quão universal? Quão exclusivo?

Mercado e Estado ficam expostos, portanto, a tantas questões específicas que mal podemos formulá-las sem recorrer a um terceiro termo de referência. As perguntas levantadas e a intensidade do questionamento variam necessariamente segundo os valores mais profundamente sentidos em cada contexto.

As ONGs têm que produzir projetos que sejam interessantes a possíveis financiadores e executá-los com razoável sucesso para que se justifique uma próxima leva de projetos e financiamentos. Para que se sustentem, precisam apoiar-se no desempenho, o que exige algum tipo de competência específica num meio competitivo. Ainda que de modo discreto, as ONGs inevitavelmente competem por financiamentos de projetos. Assim sendo, nas interações locais, distinguem-se não só por suas amplas conexões como também por uma tendência de adotar abordagem profissional numa atividade sem fins lucrativos e em geral voluntária. Portanto, mesmo involuntariamente, são levadas a introduzir a lógica pragmática da eficiência institucional no campo das ações sociais não governamentais.

Associações, ONGs e fundações são estruturas modernas que organizam iniciativas independentes de indivíduos, grupos ou instituições. Assim, nasceu em 2007 a ONG Casa de Miguel, em Senhora dos Remédios. A partir da observação de um êxodo, por falta de empregabilidade local. Várias pesquisas são e foram elaboradas para chegarmos à conclusão da necessidade de um trabalho no microcosmo da sociedade. Esquecendo assim os grandes centros e partindo para uma conscientização na interiorização, acreditando na formação de uma sociedade una e madura para gerir seu próprio destino. Entender dessa forma o impacto da globalidade de nossas totalidades.

Como dito acima, vivemos do financiamento de projetos, e aí está a parte mais difícil do trabalho. Levantar recursos financeiros para um trabalho local, ser competente para cumprir prazos e mostrar resultados contundentes para ser crível. Eu, particularmente, ainda enfrento o temor de ser um forasteiro na região, sofrendo do pesadelo de ser confundido com um oportunista.

Para saber de nossos projetos, dar sua opinião, ajudar financeira ou voluntariamente visite nosso site: www.casademiguel.org

 

Marcos Marques tem 38 anos, é presidente da ONG Casa de Miguel, trabalha com desenvolvimento de equipes no Rio de Janeiro.

 

Bibliografia:

SILVA, Helio. O Chamado Terceiro Setor. In www.sescsp.org.br/sesc/revistas

FERNANDES, Rubem César. Elos de Uma Cidadania Planetária. IDAC in www.idac.esab.edu.br