O Brasileiro é
um povo pacífico ???
Em geral, especialmente
há alguns anos atrás, quando se falava em violência, logo vinha à memória uma
correlação com classes sociais menos favorecidas. A violência urbana nascia nas
periferias, nas favelas como resultado do desespero de jovens e homens
miseráveis desejosos de ascensão social.
Hoje, a situação seja
talvez um pouco mais grave do que o mero preconceito dirigido aos pobres, aos
negros e aos moradores de bairros pobres, morros ou favelas.
O cenário atual
da violência evoluiu bastante.
A criminalidade e a
violência estão disseminadas por todas as camadas sociais, inclusive naquelas
de maior prestígio da sociedade produzindo novos “nobres” agentes do crime a
cada dia. Jovens, adultos e adolescentes enaltecidos socialmente foram
infectados com o vírus da criminalidade devido a tanta exposição à cultura da
violência.
Famílias digladiam
entre si, pais contra filhos, filhos contra pais ou se unem em ataque a outras
pessoas: o que dizer de um pai que joga a filha pela janela... e de uma mãe que
instiga sua filha a agredir outra adolescente na saída da escola... Beira o
inimaginável as razões (se é que existem?) pelas quais pessoas são
impulsionadas a ações como essas. Quantos pais como aqueles da novela das oito
(pais do Pit-Boy Zeca) não existem por aí ?
A violência, que antes
era um fenômeno proveniente das mazelas e misérias sociais de uma população sem
as mínimas condições de vida revoltados com o excesso de riqueza de poucos,
hoje tem se tornado um fenômeno comportamental de jovens e adolescentes, pobres
e ricos sem nenhuma distinção de origem sócio-econômica.
Quem, hoje, não tem um
amigo, um irmão, um membro qualquer da família ou uma pessoa conhecida que foi
morta, vítima do despropósito, do desatino, do contra-senso ou por mera
banalidade ???
No início deste ano,
uma menina de 8 anos foi baleada na cabeça por um adolescente de 16 anos na
frente da sua irmã gêmea, dentro de sua própria casa, porque a babá teria se
recusado a desligar o alarme da residência que disparou durante um assalto, num
condomínio de luxo na cidade de Rio Claro-SP. Em 2008, além do caso trágico de
Izabela Nardone (5 anos), João Roberto de 3 anos foi morto por policiais que
abriram fogo contra o carro da família confundido com o de bandidos durante uma
operação no bairro da Tijuca no RJ.
Em 2007, o caso do
menino João Hélio (5 anos) morto ao ser
arrastado do lado de fora de um carro por 7 Km pelas ruas do Rio durante um
assalto, chocou o país. Em 2006, a morte banal do músico Rodrigo Netto, guitarrista
do grupo Detonautas, durante um assalto no RJ... O caso da menina Gabriela
Prados de 3 anos, em 2003, morta a tiros durante assalto à bilheteria do
metrô num bairro nobre do Rio de Janeiro...
Manfred e Marísia Von
Richthofen, pais assassinados a pauladas pela própria filha Suzana (16 anos) e
seu namorado Daniel Cravinhos, em 2002... Em 1999, Edson Yen Tsung um jovem de
22 anos, calouro de medicina da USP, foi encontrado morto na piscina do centro
atlético da universidade após um trote universitário... Em 1997, cinco
adolescentes ricos da cidade de Brasília, para se divertirem, atearam fogo no
índio Galdino Jesus dos Santos da etnia pataxó do sul da Bahia. Há um ano
atrás, quem não se lembra da morte banal da jovem Eloá seqüestrada e
assassinada pelo ex-namorado Lindenberg apenas pelo fútil motivo de que o mesmo
não concordava com o fim do relacionamento ???
Todos estes são casos
de horrenda violência praticados por pessoas de médio ou alto poder econômico;
alguns praticados por pessoas de nível superior de escolaridade e todos eles
motivados por banalidades ou meras vaidades.
Se fossem aqui
incluídos os casos de agressões e violência no trânsito das grandes cidades, na
imensa maioria, provocados pela impaciência e stress, o rol de argumentos que
demonstram como a violência tem se tornado um “COMPORTAMENTO
INSTITUCIONALIZADO” na rotina diária do brasileiro seria ainda maior e
irrefutável.
Dezenas de casos
semelhantes a estes repercutem Brasil afora com mais ou menos destaque na mídia
e reforçam a tese de que a violência é o maior problema social que enfrentamos
nos dias de hoje, atingindo a todos, independentemente de classe, camada ou
status social.
Em todo o mundo pode-se
verificar focos de guerras e conflitos armados: carros bomba ou “mártires explosivos”
que morrem e matam em nome da fé; outros lutam e são feridos em nome
da conquista da liberdade de uma região ou nação, muitos roubam e até matam
(ou deixam morrer seus filhos) em nome da sobrevivência na guerra contra
a fome, etc.... todos estes casos de
violências não menos repugnantes constantes do noticiário internacional foram
praticados em nome de um motivo: a fé alienada, a independência de um povo, a
fome, etc.
No Brasil, excluindo as
ações da Polícia contra traficantes fortemente armados (cujo combate é um dever
do Estado) as demais ações de violência são motivadas por quê ? ... imprudência no trânsito, stress,
impaciência, vaidades, banalidades, richa entre grupos adolescentes no final de
bailes e em partidas de futebol, etc...
Estatísticas de vítimas
de confrontos entre facções de
clubes de futebol atingem números de tantas casas decimais quanto os produzidos
por catástrofes provocadas por fenômenos da natureza - terremotos ou furacões
mundo afora. São centenas de pessoas feridas por conta de brigas entre
torcedores de times rivais além de muitas mortes registradas Brasil afora.
(Fonte: www.goal.com e www.lancenet.com.br)
Depois de ser o “país
do futebol”, o Brasil tornou-se também, mundialmente conhecido, como o “país das 50 mil mortes de pessoas por ano
vítimas das mais diversas formas de violência”. São 137 vidas perdidas de
forma banal diariamente. (Fonte: UNESCO)
Este fato, além da má
distribuição de renda e principalmente do analfabetismo, provocou a estagnação
do Brasil no ranking do desenvolvimento humano (IDH) ordenado pelo Programa das
Nações Unidas para o Desenvolvimento-PNUD. O Brasil é 75º da lista. Apesar de
estarmos num patamar considerado elevado pela ONU, ficamos ainda abaixo dos
índices alcançados por países como Chile, Argentina, Uruguai, Cuba e Venezuela
e bem pouco à frente da Colômbia (77º), Peru (78º) e Equador (80º).
A violência aterroriza
nossas cidades e modifica e inibi as pessoas no seu convívio social. Enquanto
uns vivem à mercê de milícias que impõem (falsa) segurança, outros sobrevivem
em regiões inteiramente sem lei, dominadas pelo terror dos traficantes e do
crime organizado.
Pesquisas demonstram
que 85 entre 100 pessoas consideram inseguro sair de casa à noite pelas ruas da
capital mineira, Belo Horizonte (Fonte: CRISP/UFMG) e que, o maior motivo de
medo para as mulheres é o risco de sofrerem violência quer seja na rua, no
trabalho ou até mesmo em casa. (Fonte: Pesquisa IBOPE)
Nesta mesma pesquisa do
IBOPE, que foi publicada no Jornal Estado de S. Paulo, em novembro/2004,
constatou-se também que, dentre todos os entrevistados - homens e mulheres de
várias capitais do país - 46% concordam
em que a mulher que trai deve sofrer alguma forma de violência.
Então fica a pergunta
para os amigos leitores pensarem e tentarem responder: NÓS, OS BRASILEIROS,
SOMOS REALMENTE UM POVO PACÍFICO ?
Quem puder, por favor,
responda...
Em tempo:
Últimas
notícias:
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Já são quase 40 os mortos e vários feridos em cinco dias de confronto entre
policiais e bandidos na zona norte do RJ. Um helicóptero da PM foi derrubado
e explodiu... (Fatos como este normalmente são originários de países do
Oriente Médio (Iraque, Afeganistão... que estão em guerra há anos!!! Será que cabe dizer que no Brasil não
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Dois adolescentes de 13 anos agrediram com pontapés e palavrões numa
“brincadeira humilhante” (bullying) um colega de escola de 10 anos de idade
numa cidade de SP...
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Coordenador de projetos sociais do Grupo AfroReggae (que busca o resgate da
cidadania de jovens envolvidos com o narcotráfico) foi morto durante assalto no
RJ...
- É melhor parar por aqui...
Abraços
a todos.
André Dornelas da Silveira
São
Gabriel da Cachoeira-AM
Out/2009