Assevera o Reverendíssimo Padre José Duarte de Souza e Albuquerque que a origem do Palmital dos Carvalhos se prende a uma fazenda que pertencia a José Garcia da Silveira. Este, em 1779, a doou em patrimônio para seu filho João Garcia da Silveira ordenar-se. Posteriormente a fazenda passou às mãos de Manuel Carvalho Duarte Brandão, que legou-a a seu filho, Antônio Carvalho Duarte. Falecido este e a esposa, foi a fazenda demolida e seu território dividido entre vários herdeiros.

 

Em 1898, o Palmital dos Carvalhos já era uma povoação com cerca de doze a quinze casas, segundo o Almanaque Municipal de Barbacena. Porém, não haveria um armamento. Seriam as casas dispersas, ainda sem um centro que conferisse ao povoado um caráter urbano. Não há dúvidas porém, de que o Palmital já havia deixado de ser um mero lugar, para ser um povoado. Possivelmente, já houvera sido elevado à categoria de povoado por Lei do Conselho Distrital de Remédios. Isto supomos devido à menção que o Dr. Ângelo Xavier da Veiga fizera do Palmital como um dos povoados de nossa terra. A esse respeito, consta que o lugar dos Vargas foi elevado a povoado sem contar com uma igreja que aglutinasse o pessoal.

Continuou a população a crescer, até que, em 1919, o Padre José Antônio Henriques, Pároco de Capela Nova decidiu dotar o povoado com uma igreja. Ouvidos os moradores a respeito do orago, decidiram-se por São Sebastião. Isto feito, Padre Zequinha obteve a Provisão Episcopal, de 6 de junho de 1919, que autorizava erigir uma capela em honra ao Mártir São Sebastião. Mãos à obra, logo em 15 de abril de 1920 foi benta e entregue ao culto. E formou-se o arraial em torno da primitiva capela, construída na saída do Palmital para a Vargem do Amargoso. Portanto, o futuro Cônego José Antônio Henriques deve ser considerado o fundador do espaço urbano do Palmital. Mas, em que pesem os seus atos, na hora de conferir as honrarias de denominação de vias públicas, ele não é lembrado.

 

O arraial continuava a crescer. Houve necessidade de ampliar-se o já exíguo espaço da capela, obra que foi efetuada, em 1935, pelo Padre Francisco Ferreira Rodrigues, sucessor de Padre Zequinha na Paróquia de Capela Nova.

 

Empossado Padre José Duarte na mesma paróquia, quis construir nova capela em novo local. Derrubar as antigas matrizes e capelas e construir novas era uma característica especial de Padre José Duarte. Assim foi em Ressaquinha. Havia mister que também fosse no Palmital. Em 1946, Padre José Duarte obteve Provisão para construir nova capela a dois quilômetros a jusante do Rio Pinta Pau, rumo a Capela Nova, para onde o arraial se mudou. Afirma Padre Duarte que já em 1944 a capela ameaçava ruir, e que a mudança para novo local foi com o parecer da maioria dos habitantes. Em 17 de setembro de 1946 (segundo Padre César) ou 18 de setembro de 1946 (segundo Padre Duarte) a capela foi benta e entregue ao culto. Padre César diz que foi D.Helvécio Gomes de Oliveira. Padre Duarte diz que foi Monsenhor João Castilho Barbosa.

 

Data de 1956 o seu primeiro abastecimento d'água, e em seguida outros melhoramentos. Crescendo a olhos vistos, logo começaram as cogitações para sua elevação a Distrito. Sob os auspícios de Padre José Duarte de Souza, e de outras pessoas, como José Augusto de Carvalho, Olímpio Gonçalves de Carvalho e outros próceres. foi o Distrito criado por Lei 2764, de 30 de dezembro de 1962 sancionada pelo Governador Magalhães Pinto. A instalação do Distrito, contudo, demorou anos. Enquanto isso o Palmital crescia e melhorava o bastante. Seu moderno abastecimento d' água data de 1971.

 

Afinal quando se constatou que o Distrito já atendia aos requisitos legais para sua instalação, decidiu-se a Comarca de Barbacena. Tudo começou em 11 de agosto de 1977, quando o Secretário de Interior e Justiça Dr. Bonifácio José Tamm de Andrada solicitou ao Dr. Antônio Hélio da Silva marcação de data para a instalação solene do Distrito do Palmital dos Carvalhos, e a manifestar-se quanto à existência de prédio destinado ao Cartório. Em 5 de setembro imediato, o Escrivão do 1º Ofício de Barbacena pediu informação ao Prefeito Edgar sobre a existência de imóvel que servisse para nele funcionar a repartição do registro civil. Edgar respondeu informando que havia, sim, e que o Cartório funcionaria no andar térreo de propriedade do senhor Antônio Evangelista de Carvalho. Em 5 de outubro, o Juiz de Direito respondeu ao Dr. Bonifácio Andrada, não só marcando o evento para o dia 21, como solicitando a confirmação da data. Em 18 de outubro, confirmou-a o Dr. Bonifácio Andrada para o dia aprazado. Assim, em 21 de outubro de 1977 o Meritíssimo Dr. Juiz de Direito da Comarca de Barbacena Antônio Hélio da Silva, instalou o Distrito e deu posse e juramento ao Escrivão de Paz, senhor Cornélio Pereira Leite.

 

A instalação do distrito foi progresso de magnitude. Antes, de 1889 a 1891, os palmitenses tinham de registrar os filhos no Cartório de Capela Nova. De 1891 a 1977, no de Senhora dos Remédios. Agora dispunham do seu próprio Cartório.

 

A partir daí o Distrito progrediu a olhos vistos. Em 1979, foi delimitada a sua área urbana. Três anos depois, em 12 de junho de 1982, foi inaugurada a luz elétrica da CEMIG, com a rede partindo da Vargem do Amargoso, o que foi ótimo, pois um número maior de pessoas foi atendido, do que seria, se a rede partisse de Carandaí.

 

Deve-se à CEMIG a primeira denominação de ruas do Palmital, com uso de letras A até P12. Em 1984, a Lei 617, denominou oficialmente as ruas do Palmital, lei que não teria prevalecido, devido à falta de concordância. Em 1996, a Lei 932, deu novas denominações, como a 941, também o fez.

 

Algumas dessas informações retiramos de um trabalho escolar, elaborado a nosso pedido por nossas alunas do Palmital, que o denominaram "Antepassados do Palmital", em 1994. Trata-se de trabalho de alunas da primeira série do Ensino Médio da Escola Estadual Galdino Ananias de Santana. Elaborado com ingentes dificuldades, à falta de fontes primárias, só se tornou possível consultando-se pessoas antigas. Nele, constam informações interessantes como a destruição da igreja a récipe de cargas de dinamite. Muitos devotos ficaram grandemente magoados, parecendo-Ihes que o padre cometera um sacrilégio. Com efeito, era desnecessária a implosão da igreja, mesmo porque tantas pessoas ali tinham sido batizadas e casadas, e portanto, tinham uma ligação sentimental com o referido templo. Outras informações que obtivemos foi que o terreno para a Escola Estadual Dona Urquiza Diniz Chagas fora doado por José Augusto de Carvalho. E que o senhor Lordino Augusto de Carvalho doara o novo patrimônio da capela.

 

Também baseamo-nos em mapa elaborado por alunos da 5ª série B, de 1993 ou 1994, em trabalho escolar solicitado pela Professora Margarida Maria Nogueira de Carvalho Assis, então Professora de Geografia da Escola Dona Urquiza.

 

Em 1995,foi inaugurada a Capela de Nossa Senhora Aparecida, pelo Padre José Vicente Guedes, Coadjutor da Paróquia de Santana de Carandaí, construída no local da antiga capela, de 1919. Esse projeto sofreu vigorosa oposição do Padre José Custódio de Assis, Pároco de Capela Nova, tendo chegado as relações entre a comunidade do Palmital e o pároco, a tal ponto de desentendimento nos anos de 1991 e 1993, que o Arcebispo de Mariana julgou mais azado transferir a capela para Carandaí, onde permaneceu até a posse do novo pároco de Capela Nova, Padre Geraldino Mendes Pacheco. Nesse ínterim, a capela foi benta e entregue ao culto.

 

A título de curiosidade compete-nos referir que a Capela de N.S. Aparecida está próxima ao Cemitério Velho, do qual ninguém no Palmital tem memória de quando foi bento, afirmou-nos o senhor Quirino Celestino de Carvalho, da Conferência de Nossa Senhora Aparecida, a mesma que patrocinou a construção da capela. Disse-nos Quirino que seus antepassados ali foram sepultados. Comparando com outras informações, é mister evocar o testamento de João da Costa Morais, falecido em 1º de março de 1779, no qual instrumento de últimas vontades, escrito em 7 de março de 1772, declara ser possuidor de uma sesmaria confirmada nos Matos Gerais do Sertão da Pedra Menina, no Ribeirão do Palmital, havendo na mesma um cemitério bento. Portanto, este deve ser o hoje denominado Cemitério Velho, cujo foi inaugurado em 29 de dezembro de 1759, com o sepultamento de Manuel, escravo do referido João da Costa Morais.

 

Se porventura alguém, morador do querido Distrito de Palmital dos Carvalhos tiver algo de novo a acrescentar ou corrigir em nossa apresentação, poderá fazê-lo através de contato conosco.

 

 

A BELEZA QUE ESTÁ NO SIMPLES

 

por Marcos Marques

 

O objetivo do projeto é resgatar a cultura do interior brasileiro através do registro fotográfico. Despertar o observador para a compreensão de que a beleza está no simples.

 

Em 10 fotos preto e branco expostas em moldura preta de 25x30cm com passe-partout chanfrado, o fotógrafo amador Marcos Marques quer tirar a região de Palmital dos Carvalhos no interior de Minas Gerais do anonimato.

 

O projeto nasceu da observação do enorme êxodo de jovens que saem de cidades como esta para tentarem a sorte em grandes centros. Com o passar do tempo começam a perder sua identidade, têm vergonha, renegam as origens, perdem a capacidade de ver o sublime nas coisas simples, comuns.

 

A exposição esteve em cartaz na cidade de Palmital dos Carvalhos, no período de outubro e novembro de 2006. Em abril de 2007 ganhou espaço permanente no CEFEC - Barbacena (Centro Ferroviário de Cultura).