NOSSA HISTÓRIA, ARTES E GENTES

  

Nosso histórico como quase todas as histórias simples, perde-se na voragem dos tempos, quer pelo desleixo de nossos antepassados, quer pelo desinteresse de nossos contemporâneos. Isto se torna evidente quando constatamos que, excesso feito ao Padre Egydio Reis e ao jovem pesquisador João Paulo Ferreira, profundos estudiosos de nossa terra, ninguém até hoje procurou pesquisar o nosso passado histórico e extrair dele as demonstrações de bravura, patriotismo, de fé e civismo das gerações que, antes da nossa, viveram e penaram nesta terra que servimos e adoramos.

 

Os mais remotos dados da história remediense, que encontramos em nossa pesquisa, remontam ao ano de 1738, nem são verdadeiros dados, são menções feitas ao El Rei, D. José de Portugal, em uma carta demarcatória de Sesmarias da Comarca do Rio das Mortes, cuja sede deveria ter sido São João Del Rei. Neste Documento, a Coroa Portuguesa faz menção à Sesmaria de Santa Cruz da Serra (por nós conhecida como "Fazenda da Serra"), do Arraial de Borda do Campo (Barbacena) e diz: "Sertões de terras devolutas nas encostas da Pedra Menina, Paróquia de Piranga, na Província de Minas Gerais, para o Capitão Joaquim Ferreira da Silva". No final, a data: 13 de março de 1738.

 

 

ESCRITURA DA FAZENDA DA SERRA

  

Entende-se por outros documentos que Senhora dos Remédios tenha se agregado ao Município de Alto Rio Doce, pois numa carta de data (como serão chamados os documentos de concessões exclusivas de mineração e pesquisas de riquezas minerais) o Guarda-Mor das Minas do Distrito de Xopotó, no ano de 1780, concede este a João Batista Condé, da Fazenda de Santa Cruz da Serra.

 

Outro documento que podemos citar é a Escritura de Demarcação de Sesmarias, datado de 1786, assinado por Pe. Inácio Correia Pamplona, de função não identificada no documento, e em cujo teor menciona também a Fazenda Santa Cruz da Serra, suas confrontações com terras de Sesmarias de José de Vargas, cuja sede deveria ter sido o Povoado que até hoje conserva esta toponímia.

 

Dos anos de 1833, já se tem fonte afirmativa da existência jurídica do Povoado de Remédios, pois vários talões de Impostos de Renda Pública da Comarca de Piranga nos dão conhecimentos das primeiras atividades industriais e comerciais de nossos predecessores. De 1839, um talão continha os seguintes dados: "Renda Provincial - Império do Brasil-Província de Minas Gerais - Coletoria da Comarca de Piranga: Recebido de Antônio Francisco de Assis, pela Coletoria da Comarca de Piranga, pelo pagamento de Impostos de 10 quintos de pinga, e remete `a Capital do Império por lombo de burros. Produto fabricado na Fazenda Santa Cruz da Serra".

 

Portanto, a esta época já existiam as fazendas-nossa gente tipicamente colonial, amante da Agricultura.

 

Por volta de 1860, o nosso Distrito passou à Jurisdição de Barbacena, pois os tributos pagos já o foram à Coletoria de Barbacena e, muito embora as rendas distritais só tenham sido carreadas para Barbacena a partir de 1860, Barbacena já exercia autoridade administrativa aqui desde 1851, pois é esta a data da nomeação de Antônio Francisco de Assis para Delegado de Polícia do Distrito de Remédios, nos termos que seguem:

 

 

Vem este documento da "Secretaria da Província de Minas Gerais, em 12 de maio de 1851, endereçado ao Sr. Antônio Francisco de Assis, para a Fazenda de Santa Cruz da Serra -Distrito de Remédios.

 

A esta época, já proliferavam as fazendas em nosso Distrito. Tem-se notícia:

 

 

 

E é claro, da Fazenda da Santa Cruz da Serra, e da Fazenda de José de Vargas, primeiras mencionadas neste narrativo.

 

Era vigário da Capela de Nossa Senhora dos Remédios, o Padre Inácio Correia Pamplona, da família de nossa Ilustre poetisa D. Nair Pamplona e irmãos, os filhos de José Simões de Resende, José Rodrigues Milagres, de Aristóteles Alves Pamplona e de Amaro Pamplona.

 

Nossa gente cresce em amor ao povoado, à tradição e às fazendas às quais pertence. Nas fazendas, há escolas, mestres contratados pelos coronéis para instruírem a sua família (nessa época, escola era "coisa de rico"). Menciona-se nessa época os professores das fazendas: José Carlos da Fonseca Cabeça, Mestre Mateus, José Serapião de Carvalho, Joaquim Alves Pamplona e João Damasceno.

 

Nossa arte pouco desenvolvida, como a cultura, vivia ainda da criatividade do sertanejo, dos desafios que tinham lugar nas casas de Engenho, os repentistas travavam acirradas disputas ao som das sanfonas com que os trabalhadores e senhores de Engenho vibravam.

 

Nesse estágio, a Sede do Arraial já contava com as ruas: Largo da Matriz, Rua do Rosário, Rua da Ladeira (hoje, Rua João Alvim do Carmo), Largo das Cavalhadas (Hoje Avenida Paulo Ferreira de Souza) , Rua do Campestre, Rua dos Machados (hoje, Rua Antônio Pereira Neves) e Beco da Fonte Grande (hoje, Rua José Elói Benedito); não eram ainda denominadas ruas, mas já existiam a Rua Coronel Ferrão, Rua das Flores, Rua dos Forros, e Rua da Caixa D'água.

 

Nosso comércio já fazia-se notar que era lucrativo; as mercadorias geralmente vinham do Rio de Janeiro, em sua grande maioria, por tropeiros que, com enormes dificuldades e em lombos de burros, transportavam-nas para o interior.

 

O escrivão era Fortunato Guedes de Carvalho, vindo de Sabará, através de Antônio Francisco de Assis, e o cartório funcionava na Casa de João Malta, então comerciante.

Em 1875, realizou-se Alistamento Eleitoral. O Alistamento fazia-se com base na renda anual. Assim, por exemplo, temos o título nº 167, do Império do Brasil, Província de Minas Gerais; 1º Distrito, 5º Quarteirão, Município de Barbacena. Nome do Qualificado: Antônio Francisco de Assis, com 55 anos de idade. Data de Qualificação: 03 de junho de 1875. Nº na lista: 2558. Presidente da Junta Municipal: Crispim Jaques Bias Fortes; renda do qualificado: 1.000.$000 presumíveis. No item "observação" consta: Sabe ler e escrever. (Neste período existia o Conselho Distrital).

 

Tempos depois passou a existir o Conselho Distrital formado pelos respeitáveis senhores do Distrito, dentre os quais cita-se João Trantes Ferrão, Antônio Pereira de Souza Neves, Antônio Milagres, Mariano Rodrigues. Antônio Francisco de Assis, Antônio Diogo Ferreira Camilo.

 

Antônio Pereira de Souza Neves, proprietário da Fazenda da Mutuca, presidente do Conselho Distrital e depois vereador à Câmara de Barbacena, devem-se a aquisição do patrimônio Distrital, Casa do Conselho e Adjacências, onde se localiza o atual Prédio da Prefeitura e da unidade de Saúde e ainda o calçamento da Rua da Calçada (hoje, Rua João Alvim do Carmo e Rua das Flores).

 

Surge aí a primeira Escola Pública, Mestre Lobato, professor da classe masculina e professora da classe feminina a mãe de Aristóteles do Vales. Pouco depois despontam nessa nobre missão de ensinar as professoras D. Alice da Costa Matos e D. Carmélia Santana.

 

Nossa gente mais volumosa, mais culta, mais amante das tradições familiares, com certos excessos até, mas não deixando de ter nesse apreço de "status" algo muito favorável à moral. Nossa gente, apesar de notório desenvolvimento do povo não encontrou ascendentes até então, redundando-se nos artísticos trabalhos de carpintaria das províncias e das fazendas e às cantigas e danças populares.

 

E, assim, o pequeno Distrito de Remédios ia prosseguindo sua jornada, sob a proteção de Nossa Senhora dos Remédios, sua excelsa padroeira, cultivando em seus filhos o ideal de independência e os anseios de uma vida pública amparada pelos institutos legais das cidades brasileiras.

 

Nossas correspondências vinham para Carandaí, de onde eram transportadas em lombos de burros, para o Distrito. Os remedienses tinham conhecimento das coisas do Império através dos jornais de Ouro Preto "A Província" e "A Imprensa", de Mariana - Cúria Metropolitana: "O Marianense" e "O Apostolado", do Rio de Janeiro, "A Noite". Esses jornais eram assinados por João Trantes Ferrão, pelo Coronel Jerônimo de Albuquerque Leite, Coronel Teófilo Nogueira de Assis, João Francisco de Assis e outros.

 

As famílias mais tradicionais e numerosas do Distrito eram:

 

Assis

Nogueira

Milagres

Ferrão

Rodrigues

Pamplona

Pereira de Souza

Damasceno

Malta

Miguel da Costa

Guedes

Passos

Coelho

Ferreira de Souza

Benedito

Gonçalves de Carvalho.

 

Muito padeceram até às limitações de serviços públicos em nossa comunidade. A Prefeitura de Barbacena, argumentando a realística exiguidade de recursos, mas também impelida por meros caprichos de sua ideologia política, mantinha-se insensível às queixas e necessidades de nossos conterrâneos. Sempre procurando a força popular, nosso povo unia-se para a solução de seus principais problemas. Antônio Pereira, Antônio Milagres e João Francisco de Assis lideravam sempre verdadeiros mutirões, nas operações de restauração das ruas do Distrito, mandavam carros-de-boi, arados, e as ruas ganhavam aspecto mais urbano para as épocas de festas ou outras comemorações.

 

O Serviço de água, por muito tempo, limitou-se à Caixa mantida por João Trantes Ferrão (O Coronel Ferrão), pouco acima da Matriz; e à Fonte das Paulinas, como era conhecida, na Rua das Flores. A água era carregada em grandes latas pelas donas-de-casa.

 

Nossa gente ia atingindo aos poucos a maturidade de comunidade em desenvolvimento. Nas escolas, professores como D. Carmélia Santana, prof. José Raimundo Pinheiro, Aristóteles do Vale, João Alvim do Carmo, contribuíram muito para a maturidade, o crescimento e a formação da consciência, da capacidade e do civismo de nossa gente. Nossa arte atingiu, nessa época, o seu apogeu. Músicos imortais de nossa comunidade surgiram nesse período, tais como o Sr. José Simões de Resende, Eduardo de Souza Rodrigues, João Alvim do Carmo, Carmélia Santana, Adamastor Resende. A Banda "Santa Cecília", patrimônio histórico deste Município, viveu seus melhores dias. A juventude, entusiasmada, primava por divertimentos de verdadeiro cunho artístico, como os Bailados Clássicos.

 

O Distrito de Remédios, até então, conhecido com a toponímia ANGORITABA, (que significa "Casa de Pedra"), crescia em conceito e valor, pela arte de sua gente. Habitantes de cidades e distritos vizinhos, como Alto Rio Doce, Ressaquinha, Desterro do Melo, Capela Nova, Rio Espera e outros vinham em grande número para prestigiarem suas festas, não apenas religiosas, mas também as festas tradicionais, como os "Bailes da Chita", que ficaram inesquecíveis (dançava-se mazurca, xote, valsa,etc) , as Cavalhadas e Festas religiosas, entre elas a Semana Santa.

 

Outra grata revelação deste período foi a clássica oratória de Arlindo Resende, cujos discursos célebres em todas e quaisquer circunstancias, se faziam ouvir com entusiasmo e atenção de todos, pois os remedienses, desde cedo, cultivavam na alma o instinto de valorização da cultura e da retórica.

 

Com o desenvolvimento cultural e social do Distrito, através de seu povo, desenvolvidos foram também os programas de ordem pública em apoio aos apelos da coletividade remediense. Nossos vereadores à Câmara de Barbacena, erguiam, em alta voz, e defendiam com veemência os interesses de nossa terra; Antônio Pereira de Souza Neves, Antônio Diogo Ferreira Camilo, Dr, Jairo Ferreira de Castro, Francisco Mota, José Milagres Belo e Arlindo Resende, eleitos em várias legislaturas, muito conseguiram para o crescimento da cidade em que vivemos hoje.

 

No ano de 1945, Dr. Teobaldo Tolendal foi eleito Prefeito de Barbacena e nosso representante na Câmara foi o Sr. Arlindo Resende. Foi durante esta Legislatura que recebemos os Serviços de Abastecimento de água; foram instaladas, na Fonte Grande, um motor e uma bomba impulsora, que abasteceram as residências até 1965. Nesta época, por intermédio de Dr. José Bonifácio Lafaiete de Andrada, através do DNOS, dotou o Município de um melhor Serviço de Abastecimento.

 

Em 1932 foi instalada no Distrito a Iluminação pública, também graças ao Dr. José Bonifácio Lafaiete de Andrada.

 

Por falta de elementos, deixamos de seguir uma ordem cronológica na seqüência dos fatos, e passamos à apresentação de uma narrativa de cunho puramente folclórico, mas profundamente histórico.

 

 

FOLCLORE 

 

Fazem parte do Folclore de nossa gente, personagens bizarros e marcantes de nosso povo, como o conhecido "Mané Gambá", "Marciano Lambança", famosos por suas engenhosas mentiras; "Rita Crescença", afamada macumbeira; Hilário Kemps, professor rural; Felisberto Martins (O Pompéu), coordenador das Missas - do-Galo e que foi também o doador da Casa de São Vicente de Paulo.

 

 

A LENDA DO NOME "REMÉDIOS"

 

Quando surgiu a idéia da ereção da Capela (que é hoje a Matriz de Nossa Senhora dos Remédios), dois fazendeiros, proprietários do terreno, cada qual querendo a construção em sua propriedade discutiram defendendo as suas razoes, chegando mesmo à briga. Apareceu então um terceiro, que pacificou a questão, dizendo: "Construa-se a Capela de modo que fique a metade na propriedade de um e metade na propriedade do outro - é o único Remédio".

Daí, a lenda do nome "Remédios".

 

No entanto, esse relato é puramente lenda; havendo como conhecemos a história, transcrita por Pe. Egydio Reis, no Folheto da Festa da Padroeira de 1965, que erra narrada por Joaquim Alves Pamplona: "A Fazenda do Capote, perto de Carandaí, pertenceu a um fidalgo, casado com uma Baronesa de origem espanhola, que era devota de" Neustra Señora de Los Remédios "...).

 

Esta Fazenda do Capote, vinha até o Davi, nome antigo de um lugar na fazenda do Sr. Waldermar de Campos, em Senhora dos Remédios. Tendo o fidalgo conquistado grande área de terras, umas quatro léguas do Capote ao Davi, nelas desenvolveu a Agricultura. Foi então que a Baronesa vindo passar um verão na Colônia Agrícola de seu marido, mandou aqui erigir uma Capela, para a qual trouxe uma Imagem de "Nuestra Señora de Los Remédios", passando assim para a História o nome de "Arraial dos Remédios".

 

 

CULTURA E TRADIÇÕES

 

Um tipo de diversão cultural muito cultivado no Arraial dos Remédios eram as charadas. Senhora dos Remédios foi berço de charadistas famosos, como o Sr. Galdino Otaviano da Silva, ("Galdino Ricardo"), Osório José Simões, e José Simões de Resende. Alguns deles colaboravam na revista "Luso-Brasileira".

 

 

FESTAS TRADICIONAIS

 

CAVALHADAS: as Cavalhadas eram as mais famosas - luta entre mouros e cristãos. O roubo da Princesa, pelos cristãos, os doze pares de França; uma comemoração histórica que jamais poderia desaparecer; ouviam-se as embaixadas que os embaixadores adversários apresentavam. Por fim, as lutas e a vitória dos cristãos, culminando com o Batismo e conversão dos mouros.

 

FOLIA DE REIS:

Foto: Cavalhada

 
 um grupo, empunhando uma Bandeira, levando violas enfeitadas com flores e fitas, saiam pelas zonas rurais, angariando donativos para as festas religiosas e finalidades paroquiais. Finalizando, após os cantos, os pedidos, faziam versos de agradecimento pelos donativos.

 

BANDEIRAS DE ROÇA: era o tão festejado acabamento da primeira capina da roça, um mutirão reunindo de 30 a 40 pessoas, empunhando bandeiras de pano e mato, que eram entregues à fazendeira, à porta da fazenda. Serviam-se, nessas ocasiões, leitoa assada, arroz-doce, muita comida e bebida.

 

ENCOMENDAÇÃO DE ALMAS: celebração lúgubre, fúnebre, apavorante para as crianças, que era muito conhecida e praticada nos tempos de "arraial". À meia-noite, um grupo de homens com toalhas brancas à cabeça, armados de velas acesas, saia pelas ruas, com matracas e cantando em voz baixa; pediam esmola e rezas para as almas.

 

VISITA AO CRUZEIRO: antigamente, em cada entrada do Arraial dos Remédios havia um "Cruzeiro", que no dizer e fé do povo defendia a rua das "mulas-sem-cabeça" e dos "lobisomens"; diziam que, na Quaresma, um bicho, espécie de um urso, rondava a cidade, acompanhado de cães que latiam desesperadamente e que poderiam fazer mal às pessoas. Então, no dia 03 de maio, dia da Exaltação da Cruz, o povo, em procissão, visitava os Cruzeiros protetores, cantando e rezando.

 

 

AS ANTIGAS ESCOLAS PÚBLICAS

 

As escolas de outros tempos são parte ativa da nossa história, não apenas pela formação trazida à nossa gente, mas também pela simplicidade, modéstia e, ao mesmo tempo, pelo dinamismo dos professores. Geralmente eram salas pobres, com algumas carteiras em situação não muito boa, uma pequena mesa, um quadro negro, uma palmatória e pouco mais.

Uma professora para cada sexo, lecionando para as quatro séries; ainda assim, encontravam tempo para ensinar artes manuais, cantigas, catecismo, música, lavar e engomar as toalhas da Igreja e ajudar nas festas da comunidade.

D.Carmélia Santana e D. Alice Costa desincumbiam-se magnificamente dessas tarefas, preparando de forma quase perfeita os seus alunos e, melhor ainda, o cenário para a grande festa do fim do ano: O EXAME. Sempre nos fins de novembro, os examinadores eram os maiorais do lugar: o padre, o farmacêutico, os mais letrados.

 

 

PONTOS RECREATIVOS

 

Sala de João Alvim; Fonte da Paulina, do Felizardo e Fonte Grande. Eram pontos de Bate-papo das lavadeiras.Na sala de João Alvim já era diferente. Era um ponto de encontro onde se discutia política, e assuntos mais importantes da época. Faziam-se brincadeiras sadias, como prendas, charadas, etc. O Sr. João Alvim e D. Etelvina, sua esposa, que não tinham filhos, consideravam a todos como sua família.

 

 

 

 

A EMANCIPAÇÃO

 

Por volta de 1951, estando prevista a Nova Divisão Administrativa do Estado, e estando entre nós o nosso Pároco, Pe. Egydio Reis, cujo entusiasmo e espírito de luta foram do conhecimento de todo o povo remediense, o povo do Arraial de Remédios passou às lutas pela emancipação.

 

Requerimento neste sentido foi apresentado à Câmara Municipal de Barbacena, por José Milagres Belo, então nosso representante naquela Casa. Aprovado por unanimidade foi encaminhado à Assembléia Mineira, para estudos, recebendo o nº 116, vindo à votação em 25 de setembro de 1953.

 

Durante o período de tramitação do Projeto, árduas e desesperadas foram as lutas que os emancipadores tiveram que enfrentar, pressões políticas, resistências, entraves os mais complicados, que levaram os nosso líderes, inclusive, à presença do Ministro da Justiça, naquela época, Tancredo Neves, na Capital da República.

 

Foi há esse tempo que Pe. Egydio Reis organizou uma comissão de Remedienses ilustres, que, tendo como porta-voz o eloqüente Arlindo Resende, grande amigo de nosso vigário, esta comissão levou ao Governador Juscelino Kubtscheque as reivindicações justificativas para a nossa emancipação, o que veio valer a sanção da Lei nº 1.039, de 12 dezembro de 1953 e a inserção, em seus dispositivos, da sonhada criação do Município de SENHORA DOS REMÉDIOS.

 

Nosso povo veio a ter notícias do teor da Lei de Emancipação no dia 08 de dezembro de 1953, numa Festa de Nossa Senhora da Conceição, promovendo então, logo após a festa, uma tarde festiva, de passeata patriótica pelas ruas da cidade, discursos e ovações à grande conquista.

 

A 1º de janeiro de 1954 deu-se a Instalação do Município, em Sessão Solene, presidida pelo Sr. Geraldo Gonzaga da Silveira, primeiro Juiz de Paz em exercício, secretariado pela Sra. Maria Efrosina Rodrigues Paixão, Diretora das Escolas Reunidas e com a presença do Sr. José Isaias Augusto de Carvalho, nomeado Intendente e primeiro chefe do Executivo Municipal, do Dr. Paulo Patrus de Souza, representante do Deputado Último de Carvalho, conforme Ata lavrada às páginas 01 e 02 do Livro de Atas nº 01 desta cidade.

 

Aos 23 de janeiro de 1955 foi realizada a Eleição Suplementar da cidade, pleito movimentadíssimo, quando foi eleito o Sr. José Paulo de Assis, empossado a 10 de março de 1955, conforme Ata lavrada pelo Sr. Arlindo Resende, às páginas 02-V e 03 do Livro de Atas nº 01 supra citado.

 

A comissão pró-emancipação era formada por nomes ilustres de nossa terra:

Afonso Pereira de Souza, Antônio Eloi de Araújo, Antônio Timóteo de Souza, Aprígio Rodrigues de Souza, Arlindo Resende, Artur de Campos Belo, Pe Egídio Reis, Francisco Guedes da Silva, Francisco Nogueira de Assis, Francisco Vitor da Silva, Gasparino Guedes de Carvalho, Geraldo dos Santos Coelho, Geraldo Gonzaga da Silveira, Geraldo Martins de Oliveira Leite, Hilário Tomé Guedes, Ilídio Rodrigues de Souza, João Ciríaco Dornelas, João Correa de Souza, João Francisco de Paiva, João Milagres Ferrão, João Rodrigues de Souza, José Elói de Mattos, José Milagres Belo, José Paulo de Assis, Manoel Leite, Paulo de Araújo Campos.

 

 

RELIGIÃO

 

Sendo tradicionalmente religioso, o povo de Sra. dos Remédios é quase, em sua totalidade católico. Há algumas seitas com poucos adeptos, entre elas se destacando a "Assembléia de Deus", e a "Igreja Quadrangular", ambas sem muita expressividade.

 

As festas religiosas mais marcantes são a Festa da Padroeira, em 1º de setembro, Semana Santa e algumas comemorações de datas religiosas importantes, como a 21 de outubro, natal e outras.

 

No aspecto religioso, destaca-se a figura de Pe. Egydio Reis, importante líder religioso, austero e severo, que participou, inclusive, da Comissão de Emancipação do Município, contribuindo para o caráter religioso e a formação cultural e moral de nossa gente. Em sua homenagem, a Escola de Ensino Fundamental e Médio da Sede do Município leva seu nome.

 

 

PREFEITOS

 

 

Prefeito / Vice

Inicio

Fim

1

José Paulo de Assis / Artur de Campos Belo

Março 1955

Fevereiro 1959

2

Artur de Campos Belo / Milton Seb. Albuquerque

Fevereiro 1959

Agosto 1960

3

Milton Seb. Albuquerque

Agosto 1960

Junho 1961

4

José Milagres Belo

Junho 1961

Novembro 1961

5

João Francisco de Assis F. / Antônio N. Rodrigues Malta

Novembro 1961

Abril 1962

6

Antônio N. Rodrigues Malta

Abril 1962

Fevereiro 1963

7

Geraldo dos Santos Coelho / João Milagres Ferrão

Fevereiro 1963

Dezembro 1966

8

Antônio Milagres Belo / Arlindo Resende

Janeiro 1967

Fevereiro 1971

9

Edgar de Souza Passos / Valmir Miguel de Oliveira

Fevereiro 1971

Fevereiro 1973

10

José Paulo de Assis / Antônio N. Rodrigues Malta

Fevereiro 1973

Janeiro 1977

11

Edgar de Souza Passos / Geraldo M. Oliveira Leite

Janeiro 1977

Janeiro 1983

12

José Francisco Milagres P. / Vicente Santos Coelho P.

Janeiro 1983

Dezembro 1988

13

Edgar de Souza Passos / Sebastião Milagres Belo

Janeiro 1989

Dezembro 1992

14

Artur Belo Tafuri / José Alberto Pamplona

Janeiro 1993

Dezembro 1996

15

José Francisco Milagres P. / Valmir Miguel de Oliveira

Janeiro 1997

Dezembro 2000

16

Artur Belo Tafuri / Pedro Cirilo do Vale

Janeiro 2001

Dezembro 2004

17

Dirceu Passos / Sônia Coelho Milagres

Janeiro 2005

Dezembro 2008

18

Sônia Milagres Coelho

Janeiro 2008

Dezembro 2008

19

Sônia Milagres Coelho/Dirceu Passos

Janeiro 2009

Dezembro de 2012