NOSSA HISTÓRIA, ARTES E GENTES
Nosso histórico como quase todas as histórias simples, perde-se na voragem dos tempos, quer pelo desleixo de nossos antepassados, quer pelo desinteresse de nossos contemporâneos. Isto se torna evidente quando constatamos que, excesso feito ao Padre Egydio Reis e ao jovem pesquisador João Paulo Ferreira, profundos estudiosos de nossa terra, ninguém até hoje procurou pesquisar o nosso passado histórico e extrair dele as demonstrações de bravura, patriotismo, de fé e civismo das gerações que, antes da nossa, viveram e penaram nesta terra que servimos e adoramos.
Os mais
remotos dados da história remediense, que encontramos em nossa pesquisa,
remontam ao ano de 1738, nem são verdadeiros dados, são menções feitas ao El
Rei, D. José de Portugal, em uma carta demarcatória de Sesmarias da Comarca do
Rio das Mortes, cuja sede deveria ter sido São João Del Rei. Neste Documento, a
Coroa Portuguesa faz menção à Sesmaria de Santa Cruz da Serra (por nós
conhecida como "Fazenda da Serra"), do Arraial de Borda do Campo
(Barbacena) e diz: "Sertões de terras devolutas nas encostas da Pedra
Menina, Paróquia de Piranga, na Província de Minas Gerais, para o Capitão
Joaquim Ferreira da Silva". No final, a data: 13 de março de 1738.
ESCRITURA DA FAZENDA DA SERRA
Entende-se por outros
documentos que Senhora dos Remédios tenha se agregado ao Município de Alto Rio
Doce, pois numa carta de data (como serão chamados os documentos de concessões
exclusivas de mineração e pesquisas de riquezas minerais) o Guarda-Mor das
Minas do Distrito de Xopotó, no ano de 1780, concede este a João Batista Condé,
da Fazenda de Santa Cruz da Serra.
Outro
documento que podemos citar é a Escritura de Demarcação de Sesmarias, datado de
1786, assinado por Pe. Inácio Correia Pamplona, de função não identificada no
documento, e em cujo teor menciona também a Fazenda Santa Cruz da Serra, suas
confrontações com terras de Sesmarias de José de Vargas, cuja sede deveria ter
sido o Povoado que até hoje conserva esta toponímia.
Dos anos
de 1833, já se tem fonte afirmativa da existência jurídica do Povoado de
Remédios, pois vários talões de Impostos de Renda Pública da Comarca de Piranga
nos dão conhecimentos das primeiras atividades industriais e comerciais de
nossos predecessores. De 1839, um talão continha os seguintes dados:
"Renda Provincial - Império do Brasil-Província de Minas Gerais -
Coletoria da Comarca de Piranga: Recebido de Antônio Francisco de Assis, pela
Coletoria da Comarca de Piranga, pelo pagamento de Impostos de 10 quintos de
pinga, e remete `a Capital do Império por lombo de burros. Produto fabricado na
Fazenda Santa Cruz da Serra".
Portanto,
a esta época já existiam as fazendas-nossa gente tipicamente colonial, amante
da Agricultura.
Por volta
de 1860, o nosso Distrito passou à Jurisdição de Barbacena, pois os tributos
pagos já o foram à Coletoria de Barbacena e, muito embora as rendas distritais
só tenham sido carreadas para Barbacena a partir de 1860, Barbacena já exercia
autoridade administrativa aqui desde 1851, pois é esta a data da nomeação de
Antônio Francisco de Assis para Delegado de Polícia do Distrito de Remédios,
nos termos que seguem:

Vem este
documento da "Secretaria da Província de Minas Gerais, em 12 de maio de
1851, endereçado ao Sr. Antônio Francisco de Assis, para a Fazenda de Santa
Cruz da Serra -Distrito de Remédios.
A esta
época, já proliferavam as fazendas
Fazenda da Mutuca ( Cel.
Modesto)
E é claro,
da Fazenda da Santa Cruz da Serra, e da Fazenda de José de Vargas, primeiras
mencionadas neste narrativo.
Era
vigário da Capela de Nossa Senhora dos Remédios, o Padre Inácio Correia
Pamplona, da família de nossa Ilustre poetisa D. Nair Pamplona e irmãos, os
filhos de José Simões de Resende, José Rodrigues Milagres, de Aristóteles Alves
Pamplona e de Amaro Pamplona.
Nossa
gente cresce em amor ao povoado, à tradição e às fazendas às quais pertence.
Nas fazendas, há escolas, mestres contratados pelos coronéis para instruírem a
sua família (nessa época, escola era "coisa de rico"). Menciona-se
nessa época os professores das fazendas: José Carlos da Fonseca Cabeça, Mestre
Mateus, José Serapião de Carvalho, Joaquim Alves Pamplona e João Damasceno.
Nossa arte
pouco desenvolvida, como a cultura, vivia ainda da criatividade do sertanejo,
dos desafios que tinham lugar nas casas de Engenho, os repentistas travavam
acirradas disputas ao som das sanfonas com que os trabalhadores e senhores de
Engenho vibravam.
Nesse
estágio, a Sede do Arraial já contava com as ruas: Largo da Matriz, Rua do
Rosário, Rua da Ladeira (hoje, Rua João Alvim do Carmo), Largo das Cavalhadas
(Hoje Avenida Paulo Ferreira de Souza) , Rua do Campestre, Rua dos Machados
(hoje, Rua Antônio Pereira Neves) e Beco da Fonte Grande (hoje, Rua José Elói
Benedito); não eram ainda denominadas ruas, mas já existiam a Rua Coronel
Ferrão, Rua das Flores, Rua dos Forros, e Rua da Caixa D'água.
Nosso
comércio já fazia-se notar que era lucrativo; as mercadorias geralmente vinham
do Rio de Janeiro, em sua grande maioria, por tropeiros que, com enormes
dificuldades e em lombos de burros, transportavam-nas para o interior.
O escrivão
era Fortunato Guedes de Carvalho, vindo de Sabará, através de Antônio Francisco
de Assis, e o cartório funcionava na Casa de João Malta, então comerciante.
Em 1875, realizou-se
Alistamento Eleitoral. O Alistamento fazia-se com base na renda anual. Assim,
por exemplo, temos o título nº 167, do Império do Brasil, Província de Minas
Gerais; 1º Distrito, 5º Quarteirão, Município de Barbacena. Nome do
Qualificado: Antônio Francisco de Assis, com 55 anos de idade. Data de
Qualificação: 03 de junho de 1875. Nº na lista: 2558. Presidente da Junta
Municipal: Crispim Jaques Bias Fortes; renda do qualificado: 1.000.$000
presumíveis. No item "observação" consta: Sabe ler e escrever. (Neste
período existia o Conselho Distrital).
Tempos
depois passou a existir o Conselho Distrital formado pelos respeitáveis
senhores do Distrito, dentre os quais cita-se João Trantes Ferrão, Antônio
Pereira de Souza Neves, Antônio Milagres, Mariano Rodrigues. Antônio Francisco
de Assis, Antônio Diogo Ferreira Camilo.
Antônio
Pereira de Souza Neves, proprietário da Fazenda da Mutuca, presidente do
Conselho Distrital e depois vereador à Câmara de Barbacena, devem-se a
aquisição do patrimônio Distrital, Casa do Conselho e Adjacências, onde se
localiza o atual Prédio da Prefeitura e da unidade de Saúde e ainda o
calçamento da Rua da Calçada (hoje, Rua João Alvim do Carmo e Rua das Flores).
Surge aí a
primeira Escola Pública, Mestre Lobato, professor da classe masculina e
professora da classe feminina a mãe de Aristóteles do Vales. Pouco depois
despontam nessa nobre missão de ensinar as professoras D. Alice da Costa Matos
e D. Carmélia Santana.
Nossa
gente mais volumosa, mais culta, mais amante das tradições familiares, com
certos excessos até, mas não deixando de ter nesse apreço de "status"
algo muito favorável à moral. Nossa gente, apesar de notório desenvolvimento do
povo não encontrou ascendentes até então, redundando-se nos artísticos
trabalhos de carpintaria das províncias e das fazendas e às cantigas e danças
populares.
E, assim, o pequeno Distrito de Remédios ia prosseguindo sua jornada,
sob a proteção de Nossa Senhora dos Remédios, sua excelsa padroeira, cultivando
em seus filhos o ideal de independência e os anseios de uma vida pública
amparada pelos institutos legais das cidades brasileiras.
Nossas
correspondências vinham para Carandaí, de onde eram transportadas em lombos de
burros, para o Distrito. Os remedienses tinham conhecimento das coisas do
Império através dos jornais de Ouro Preto "A Província" e "A
Imprensa", de Mariana - Cúria Metropolitana: "O Marianense" e
"O Apostolado", do Rio de Janeiro, "A Noite". Esses jornais
eram assinados por João Trantes Ferrão, pelo Coronel Jerônimo de Albuquerque
Leite, Coronel Teófilo Nogueira de Assis, João Francisco de Assis e outros.
As famílias mais
tradicionais e numerosas do Distrito eram:
|
Assis Nogueira Milagres Ferrão Rodrigues Pamplona Pereira de Souza Damasceno Malta Miguel da Costa Guedes Passos Coelho Ferreira de Souza Benedito Gonçalves de
Carvalho. |
Muito
padeceram até às limitações de serviços públicos em nossa comunidade. A
Prefeitura de Barbacena, argumentando a realística exiguidade de recursos, mas
também impelida por meros caprichos de sua ideologia política, mantinha-se
insensível às queixas e necessidades de nossos conterrâneos. Sempre procurando
a força popular, nosso povo unia-se para a solução de seus principais
problemas. Antônio Pereira, Antônio Milagres e João Francisco de Assis
lideravam sempre verdadeiros mutirões, nas operações de restauração das ruas do
Distrito, mandavam carros-de-boi, arados, e as ruas ganhavam aspecto mais
urbano para as épocas de festas ou outras comemorações.
O Serviço
de água, por muito tempo, limitou-se à Caixa mantida por João Trantes Ferrão (O
Coronel Ferrão), pouco acima da Matriz; e à Fonte das Paulinas, como era
conhecida, na Rua das Flores. A água era carregada em grandes latas pelas
donas-de-casa.
Nossa
gente ia atingindo aos poucos a maturidade de comunidade
O Distrito
de Remédios, até então, conhecido com a toponímia ANGORITABA, (que significa
"Casa de Pedra"), crescia em conceito e valor, pela arte de sua
gente. Habitantes de cidades e distritos vizinhos, como Alto Rio Doce,
Ressaquinha, Desterro do Melo, Capela Nova, Rio Espera e outros vinham em
grande número para prestigiarem suas festas, não apenas religiosas, mas também
as festas tradicionais, como os "Bailes da Chita", que ficaram inesquecíveis
(dançava-se mazurca, xote, valsa,etc) , as Cavalhadas e Festas religiosas,
entre elas a Semana Santa.
Outra
grata revelação deste período foi a clássica oratória de Arlindo Resende, cujos
discursos célebres em todas e quaisquer circunstancias, se faziam ouvir com
entusiasmo e atenção de todos, pois os remedienses, desde cedo, cultivavam na
alma o instinto de valorização da cultura e da retórica.
Com o desenvolvimento
cultural e social do Distrito, através de seu povo, desenvolvidos foram também
os programas de ordem pública em apoio aos apelos da coletividade remediense.
Nossos vereadores à Câmara de Barbacena, erguiam, em alta voz, e defendiam com
veemência os interesses de nossa terra; Antônio Pereira de Souza Neves, Antônio
Diogo Ferreira Camilo, Dr, Jairo Ferreira de Castro, Francisco Mota, José
Milagres Belo e Arlindo Resende, eleitos em várias legislaturas, muito
conseguiram para o crescimento da cidade em que vivemos hoje.
No ano de
1945, Dr. Teobaldo Tolendal foi eleito Prefeito de Barbacena e nosso
representante na Câmara foi o Sr. Arlindo Resende. Foi durante esta Legislatura
que recebemos os Serviços de Abastecimento de água; foram instaladas, na Fonte
Grande, um motor e uma bomba impulsora, que abasteceram as residências até
1965. Nesta época, por intermédio de Dr. José Bonifácio Lafaiete de Andrada,
através do DNOS, dotou o Município de um melhor Serviço de Abastecimento.
Em 1932
foi instalada no Distrito a Iluminação pública, também graças ao Dr. José
Bonifácio Lafaiete de Andrada.
Por falta de
elementos, deixamos de seguir uma ordem cronológica na seqüência dos fatos, e
passamos à apresentação de uma narrativa de cunho puramente folclórico, mas
profundamente histórico.
FOLCLORE
Fazem parte do Folclore de nossa gente, personagens bizarros e
marcantes de nosso povo, como o conhecido "Mané Gambá",
"Marciano Lambança", famosos por suas engenhosas mentiras; "Rita
Crescença", afamada macumbeira; Hilário Kemps, professor rural; Felisberto
Martins (O Pompéu), coordenador das Missas - do-Galo e que foi também o doador
da Casa de São Vicente de Paulo.
A LENDA DO NOME "REMÉDIOS"
Quando
surgiu a idéia da ereção da Capela (que é hoje a Matriz de Nossa Senhora dos
Remédios), dois fazendeiros, proprietários do terreno, cada qual querendo a
construção em sua propriedade discutiram defendendo as suas razoes, chegando
mesmo à briga. Apareceu então um terceiro, que pacificou a questão, dizendo:
"Construa-se a Capela de modo que fique a metade na propriedade de um e
metade na propriedade do outro - é o único Remédio".
Daí, a lenda do nome
"Remédios".
No
entanto, esse relato é puramente lenda; havendo como conhecemos a história,
transcrita por Pe. Egydio Reis, no Folheto da Festa da Padroeira de 1965, que
erra narrada por Joaquim Alves Pamplona: "A Fazenda do Capote, perto de
Carandaí, pertenceu a um fidalgo, casado com uma Baronesa de origem espanhola,
que era devota de" Neustra Señora de Los Remédios "...).
Esta
Fazenda do Capote, vinha até o Davi, nome antigo de um lugar na fazenda do Sr.
Waldermar de Campos, em Senhora dos Remédios. Tendo o fidalgo conquistado
grande área de terras, umas quatro léguas do Capote ao Davi, nelas desenvolveu
a Agricultura. Foi então que a Baronesa vindo passar um verão na Colônia
Agrícola de seu marido, mandou aqui erigir uma Capela, para a qual trouxe uma
Imagem de "Nuestra Señora de Los Remédios", passando assim para a
História o nome de "Arraial dos Remédios".
CULTURA E TRADIÇÕES
Um tipo de diversão cultural muito cultivado no Arraial dos Remédios
eram as charadas. Senhora dos Remédios foi berço de charadistas famosos, como o
Sr. Galdino Otaviano da Silva, ("Galdino Ricardo"), Osório José
Simões, e José Simões de Resende. Alguns deles colaboravam na revista
"Luso-Brasileira".
FESTAS TRADICIONAIS
CAVALHADAS: as
Cavalhadas eram as mais famosas - luta entre mouros e cristãos. O roubo da
Princesa, pelos cristãos, os doze pares de França; uma comemoração histórica
que jamais poderia desaparecer; ouviam-se as embaixadas que os embaixadores
adversários apresentavam. Por fim, as lutas e a vitória dos cristãos,
culminando com o Batismo e conversão dos mouros.
FOLIA DE REIS:
Foto: Cavalhada
um grupo, empunhando uma Bandeira, levando
violas enfeitadas com flores e fitas, saiam pelas zonas rurais, angariando
donativos para as festas religiosas e finalidades paroquiais. Finalizando, após
os cantos, os pedidos, faziam versos de agradecimento pelos donativos.
BANDEIRAS DE ROÇA: era
o tão festejado acabamento da primeira capina da roça, um mutirão reunindo de
ENCOMENDAÇÃO DE ALMAS:
celebração lúgubre, fúnebre, apavorante para as crianças, que era muito
conhecida e praticada nos tempos de "arraial". À meia-noite, um grupo
de homens com toalhas brancas à cabeça, armados de velas acesas, saia pelas
ruas, com matracas e cantando em voz baixa; pediam esmola e rezas para as
almas.
VISITA AO CRUZEIRO:
antigamente, em cada entrada do Arraial dos Remédios havia um
"Cruzeiro", que no dizer e fé do povo defendia a rua das
"mulas-sem-cabeça" e dos "lobisomens"; diziam que, na
Quaresma, um bicho, espécie de um urso, rondava a cidade, acompanhado de cães
que latiam desesperadamente e que poderiam fazer mal às pessoas. Então, no dia
03 de maio, dia da Exaltação da Cruz, o povo, em procissão, visitava os
Cruzeiros protetores, cantando e rezando.
AS ANTIGAS ESCOLAS PÚBLICAS
As escolas
de outros tempos são parte ativa da nossa história, não apenas pela formação
trazida à nossa gente, mas também pela simplicidade, modéstia e, ao mesmo
tempo, pelo dinamismo dos professores. Geralmente eram salas pobres, com
algumas carteiras em situação não muito boa, uma pequena mesa, um quadro negro,
uma palmatória e pouco mais.
Uma
professora para cada sexo, lecionando para as quatro séries; ainda assim,
encontravam tempo para ensinar artes manuais, cantigas, catecismo, música,
lavar e engomar as toalhas da Igreja e ajudar nas festas da comunidade.
D.Carmélia
Santana e D. Alice Costa desincumbiam-se magnificamente dessas tarefas,
preparando de forma quase perfeita os seus alunos e, melhor ainda, o cenário
para a grande festa do fim do ano: O EXAME. Sempre nos fins de novembro, os
examinadores eram os maiorais do lugar: o padre, o farmacêutico, os mais
letrados.
PONTOS RECREATIVOS
Sala de João Alvim; Fonte da Paulina, do Felizardo e Fonte
Grande. Eram pontos de Bate-papo das lavadeiras.Na sala de João Alvim já era
diferente. Era um ponto de encontro onde se discutia política, e assuntos mais
importantes da época. Faziam-se brincadeiras sadias, como prendas, charadas,
etc. O Sr. João Alvim e D. Etelvina, sua esposa, que não tinham filhos,
consideravam a todos como sua família.
A EMANCIPAÇÃO
Por volta
de 1951, estando prevista a Nova Divisão Administrativa do Estado, e estando
entre nós o nosso Pároco, Pe. Egydio Reis, cujo entusiasmo e espírito de luta
foram do conhecimento de todo o povo remediense, o povo do Arraial de Remédios
passou às lutas pela emancipação.
Requerimento
neste sentido foi apresentado à Câmara Municipal de Barbacena, por José
Milagres Belo, então nosso representante naquela Casa. Aprovado por unanimidade
foi encaminhado à Assembléia Mineira, para estudos, recebendo o nº 116, vindo à
votação em 25 de setembro de 1953.
Durante o
período de tramitação do Projeto, árduas e desesperadas foram as lutas que os
emancipadores tiveram que enfrentar, pressões políticas, resistências, entraves
os mais complicados, que levaram os nosso líderes, inclusive, à presença do
Ministro da Justiça, naquela época, Tancredo Neves, na Capital da República.
Foi há
esse tempo que Pe. Egydio Reis organizou uma comissão de Remedienses ilustres,
que, tendo como porta-voz o eloqüente Arlindo Resende, grande amigo de nosso
vigário, esta comissão levou ao Governador Juscelino Kubtscheque as
reivindicações justificativas para a nossa emancipação, o que veio valer a
sanção da Lei nº 1.039, de 12 dezembro de 1953 e a inserção, em seus
dispositivos, da sonhada criação do Município de SENHORA DOS REMÉDIOS.
Nosso povo
veio a ter notícias do teor da Lei de Emancipação no dia 08 de dezembro de 1953,
numa Festa de Nossa Senhora da Conceição, promovendo então, logo após a festa,
uma tarde festiva, de passeata patriótica pelas ruas da cidade, discursos e
ovações à grande conquista.
A 1º de
janeiro de 1954 deu-se a Instalação do Município,
Aos 23 de
janeiro de 1955 foi realizada a Eleição Suplementar da cidade, pleito
movimentadíssimo, quando foi eleito o Sr. José Paulo de Assis, empossado a 10
de março de 1955, conforme Ata lavrada pelo Sr. Arlindo Resende, às páginas
02-V e 03 do Livro de Atas nº 01 supra citado.
A comissão
pró-emancipação era formada por nomes ilustres de nossa terra:
Afonso Pereira de
Souza, Antônio Eloi de Araújo, Antônio Timóteo de Souza, Aprígio Rodrigues de
Souza, Arlindo Resende, Artur de Campos Belo, Pe Egídio Reis, Francisco Guedes
da Silva, Francisco Nogueira de Assis, Francisco Vitor da Silva, Gasparino
Guedes de Carvalho, Geraldo dos Santos Coelho, Geraldo Gonzaga da Silveira,
Geraldo Martins de Oliveira Leite, Hilário Tomé Guedes, Ilídio Rodrigues de
Souza, João Ciríaco Dornelas, João Correa de Souza, João Francisco de Paiva,
João Milagres Ferrão, João Rodrigues de Souza, José Elói de Mattos, José
Milagres Belo, José Paulo de Assis, Manoel Leite, Paulo de Araújo Campos.
RELIGIÃO
Sendo
tradicionalmente religioso, o povo de Sra. dos Remédios é quase, em sua
totalidade católico. Há algumas seitas com poucos adeptos, entre elas se
destacando a "Assembléia de Deus", e a "Igreja
Quadrangular", ambas sem muita expressividade.
As festas
religiosas mais marcantes são a Festa da Padroeira, em 1º de setembro, Semana
Santa e algumas comemorações de datas religiosas importantes, como a 21 de
outubro, natal e outras.
No aspecto
religioso, destaca-se a figura de Pe. Egydio Reis, importante líder religioso,
austero e severo, que participou, inclusive, da Comissão de Emancipação do
Município, contribuindo para o caráter religioso e a formação cultural e moral
de nossa gente. Em sua homenagem, a Escola de Ensino Fundamental e Médio da
Sede do Município leva seu nome.
PREFEITOS
|
|
Prefeito / Vice |
Inicio |
Fim |
|
1 |
José Paulo de Assis / Artur de Campos Belo |
Março 1955 |
Fevereiro 1959 |
|
2 |
Artur de Campos Belo / Milton Seb. Albuquerque |
Fevereiro 1959 |
Agosto 1960 |
|
3 |
Milton Seb. Albuquerque |
Agosto 1960 |
Junho 1961 |
|
4 |
José Milagres Belo |
Junho 1961 |
Novembro 1961 |
|
5 |
João Francisco de Assis F. / Antônio N. Rodrigues Malta |
Novembro 1961 |
Abril 1962 |
|
6 |
Antônio N. Rodrigues Malta |
Abril 1962 |
Fevereiro 1963 |
|
7 |
Geraldo dos Santos Coelho / João Milagres Ferrão |
Fevereiro 1963 |
Dezembro 1966 |
|
8 |
Antônio Milagres Belo / Arlindo Resende |
Janeiro 1967 |
Fevereiro 1971 |
|
9 |
Edgar de Souza Passos / Valmir Miguel de Oliveira |
Fevereiro 1971 |
Fevereiro 1973 |
|
10 |
José Paulo de Assis / Antônio N. Rodrigues Malta |
Fevereiro 1973 |
Janeiro 1977 |
|
11 |
Edgar de Souza Passos / Geraldo M. Oliveira Leite |
Janeiro 1977 |
Janeiro 1983 |
|
12 |
José Francisco Milagres P. / Vicente Santos Coelho P. |
Janeiro 1983 |
Dezembro 1988 |
|
13 |
Edgar de Souza Passos / Sebastião Milagres Belo |
Janeiro 1989 |
Dezembro 1992 |
|
14 |
Artur Belo Tafuri / José Alberto Pamplona |
Janeiro 1993 |
Dezembro 1996 |
|
15 |
José Francisco Milagres P. / Valmir Miguel de Oliveira |
Janeiro 1997 |
Dezembro 2000 |
|
16 |
Artur Belo Tafuri / Pedro Cirilo do Vale |
Janeiro 2001 |
Dezembro 2004 |
|
17 |
Dirceu Passos / Sônia Coelho Milagres |
Janeiro 2005 |
Dezembro 2008 |
|
18 |
Sônia Milagres
Coelho |
Janeiro 2008 |
Dezembro 2008 |
|
19 |
Sônia Milagres
Coelho/Dirceu Passos |
Janeiro 2009 |
Dezembro de 2012 |